É neste recanto logo ao norte do Mato Grosso que começa a Amazônia brasileira, a maior floresta tropical contínua do planeta.
Um dos mais conjuntos de biodiversidade do planeta se manifesta da copa à raiz das centenárias árvores, dessas com mais de 50 metros de altura e troncos são tão grossos que às vezes é necessário juntar mais de dez pessoas para abraçar.
O Teles Pires, junto com o Juruena, forma o Tapajós, um dos mais importantes afluentes do rio Amazonas. Suas águas são cristalinas e de rara beleza, porém esse nosso primeiro encontro com o Teles Pires aconteceu no período da vazante com as águas escuras e ainda altas, não sendo essa a melhor época para uma pescaria.
A bacia amazônica, incluindo a bacia do rio Tapajós, cobre uma área de, aproximadamente, 7,1 milhões de quilômetros quadrados. Esta é a maior rede hidrográfica do mundo, e contribui com 18% da água doce despejada nos oceanos. Seus rios, igarapés, lagos, canais e furos abrigam cerca de 20% de toda água doce da terra. É água que não acaba mais e a diversidade de espécies de peixes esportivos é a maior do planeta.
É impressionante a quantidade de espécies de peixes de couro ou escamas que são possíveis de se fisgar nesta região. Até os pescadores mais experientes e acostumados com as diferentes formas de briga dos peixes acabam por confundir-se na hora do embate. Quando se tem quase a certeza de que o peixe que vai emergir é um, na hora “h” quem dá as caras é outro.
Na ocasião de nossa pescaria, tivemos quatro intensos dias de pescaria. Peixes magníficos por sua coloração, como o jundiá-onça, o caparari e a pirarara - o peixe arara; fantásticos pela briga, como o tucunaré, a bicuda e a dentuça cachorra; impressionantes pelo seu tamanho, como a o jaú e a gigantesca piraíba; ou curiosos, como o “pré-histórico” armau e sua carapaça que lembra um jacaré.
Nas condições de águas ainda escuras e altas, as matrinxãs, conhecidas como “rainha de prata” dos rios amazônicos, já foram embora, e os tucunarés ainda estão chegando. Os grandalhões, dos quais constantemente escutávamos os estouros no meio da mata inundada, ainda não saíram para as lagoas. Mas a quantidade de tucunarés amarelos e azuis na faixa de dois a três quilos era assustadora. Literalmente de cansar o braço.
Os embaixadores das águas proporcionaram emocionantes batidas nas iscas de superfície. Num desses ataques, o “tucuna” errou três botes na minha isca, uma poper de 9 cm com um penacho na garatéia traseira. Quando eu já estava tirando a isca da água para arremessar novamente, ele surgiu, vindo de baixo do barco, e alcançou a isca a uns 15 centímetros fora d’água. O impacto foi tamanho que arrebentou a linha multifilamento 0,27mm e levou minha isca de estimação embora. Senti pela perda da isca, mas foi uma cena inesquecível que fez elevar, e muito, o nível de adrenalina. Um verdadeiro antídoto para o cansaço e o desconforto gerado pelo calor intenso e pelos mosquitos.
Cedinho, às 5h e 30min, éramos acordados e em pouco tempo estávamos reunidos para o delicioso café da manhã. Nem bem o dia clareava, e lá estavam todos navegando novamente nas águas do Teles Pires. Uma viagem de aproximadamente 40 minutos até chegar aos melhores pontos de pesca.
Essa navegação durava praticamente o mesmo tempo se escolhêssemos as corredeiras mais fortes rio acima ou se o destino fossem as lagoas, que ficavam rio abaixo da pousada. Essa é a hora que instintivamente brota em nosso coração uma oração de gratidão ao Criador de todas as coisas. É impossível não elevar o pensamento a Deus quando se está contemplando tão majestosa criação.
Na saída da pousada, enquanto o avião deixa a pista de terra e se eleva sobre aquele imenso tapete verde formado pela floresta amazônica, serpenteada pelo majestoso rio Teles Pires, o primeiro pensamento que vem a mente é: “Tomara que o homem evolua e seja mais consciente de seu importante papel em relação à natureza; e que seja breve nosso retorno a esse paraíso da pesca esportiva”.
Turismo
Em Alta Floresta, a bordo de um ônibus caracterizado, o Fishing Bus, conduzido pelo grande amigo Marcão, gerente comercial da Pousada Mantega e responsável pelo atendimento aos pescadores enquanto estão na cidade, fomos conhecer alguns pontos turísticos. O futebol de Tambaquis é um show à parte, vale a pena conferir. No orquidário Recanto das Orquídeas, além de conhecer espécies nativas de orquídeas, pode-se observar um bando de capivaras livres na natureza. De um orquidário flutuante, sobre o lago, pode-se avistar várias espécies de peixes, jacarés e o show das mais de vinte mil garças chegando, ao final da tarde, para o pernoite. Além do casal de pirarucus, o destaque é a mascote do recanto: a Lindinha, uma sucuri de 3 metros, que é o “animalzinho” de estimação da bióloga Apolônia e de sua família, que moram no local.
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